Guia da Semana

Marcelo Galvão, diretor de Colegas, fala sobre o filme

Cineasta comenta escolha do elenco com síndrome de down e campanha #Vem Sean Penn

Poucas coisas são tão universais quanto a capacidade de sonhar. Porém, muitos são os momentos em que nos vemos engolidos pela rotina e por um pragmatismo que ganhamos com a fase adulta ou, talvez, seja apenas a vida, ou alguma fase dela.

Na contramão dessa premissa, Stalone (Ariel Goldenberg), Márcio (Breno Viola) e Aninha (Rita Pokk), personagens do filme Colegas, “roubam” um carro e colocam o pé na estrada em busca de aventuras. A estreia está marcada para 1º de março e espera-se que o ator americano Sean Penn apareça para assistir ao lançamento ao lado do ator Ariel Goldenberg, autor da campanha #VemSeanPenn.

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Com direção e roteiro de Marcelo Galvão (Quarta B; Bellini e o Demônio), Colegas não é só um bom filme premiado em vários festivais - ganhou três prêmios em Gramado, São Paulo, Rio de Janeiro e em países como Itália e Rússia -, é também uma forte e sutil cutucada em nossa zona de conforto enquanto nos leva a uma divertida viagem junto a três protagonistas com Síndrome de Down, permeada por sonhos e frases célebres do cinema.

O diretor Marcelo Galvão

Carioca criado em Campinas e radicado em São Paulo, o ex-redator publicitário Marcelo Galvão escreveu o roteiro de Colegas há sete anos, inspirado pela convivência que teve durante a infância com seu tio portador de Síndrome de Down. Desses sete anos, cinco foram de tentativas de captar recursos até enfim ser viabilizado seu primeiro grande projeto com lei de incentivo. Completam o elenco do filme os atores Lima Duarte, Juliana Didone, Leonardo Miggiorin e Marco Luque.

Confira abaixo nossa conversa com o diretor Marcelo Galvão sobre o filme Colegas e outros pitacos sobre o cinema brasileiro.

Por que um elenco com atores com Síndrome de Down?
Eu cresci com um tio com Síndrome de Down e foram momentos muito felizes da minha vida. Eu era criança e ele passava as férias na minha casa e tinha muita coisa em comum com a gente [crianças]. Era um adulto que acreditava que tudo era possível, tinha o lúdico muito presente, era um cara engraçado, tinha um coração gigante.

Eu não queria escrever um filme que falasse sobre Síndrome de Down, mas que fosse leve e gostoso, com essa energia boa que eu sentia quando estava com ele. Para isso escrevi um filme que falasse sobre sonho, mas protagonizado por pessoas com Síndrome de Down.

Você teve a intenção de chamar a atenção para inclusão social?
Intenção não tive, não queria levantar uma bandeira, mas o filme é totalmente inclusivo. É um filme que tem, além dos três protagonistas, mais outros 70 garotos com Síndrome de Down no elenco e é produzido por um produtor executivo deficiente visual. Não é um filme para você ficar com pena de ninguém, você se diverte, dá risada e pensa ‘Caramba! Esse filme foi feito com esse elenco, por esse produtor!’, aí sim vemos como um projeto de inclusão social e essa é a melhor forma de incluir, quando você esquece que a pessoa tem a deficiência.

Você encontrou dificuldades para captar recursos para o filme?
Um monte, não só por causa dos protagonistas, mas pelo tema do filme. Muitas empresas disseram que não queriam associar a marca com Síndrome de Down, distribuidores disseram que não ia dar dinheiro, não ia funcionar. Ouvi dos mais absurdos possíveis em várias instâncias, desde críticos, distribuidoras e patrocinadores.

Marcelo Galvão Colegas 

Você também está fazendo um documentário que aborda o tema...
Sim, chama Três Vidas e Um Sonho, sobre as mães dos protagonistas de Colegas. Mostra três mães que viviam reclamando da vida porque tiveram filhos com Síndrome de Down em um momento que existiam muitos preconceitos, além de terem sido deixadas pelos maridos. Elas são exemplos de perseverança, de pessoas que conquistaram o que queriam. O documentário deve sair no meio desse ano ou no final, minha ideia é conseguir mandar para alguns festivais.

Como você analisa o cinema brasileiro atual?
Acho que o cinema brasileiro começa a ter mais voz. Muitos filmes bons estão sendo feitos, mas existe ainda uma preocupação em fazer filme só pra público. Existem duas vertentes e eu tento trabalhar no meio delas: tem as que fazem filmes pra elas mesmas, que dialogam só com elas, e os que fazem filmes para grande massa sem nada a dizer. Eu tento fazer filmes interessantes que tenham algo a dizer e que dialoguem com a grande massa. 

E o Sean Penn vem?
Até agora ninguém falou nada. Sei que o vídeo chegou nele, mas não tive uma resposta. Se ele não vier a gente vai lá mostrar pra ele, vou com o Ariel. Ele [Ariel] está na torcida achando que o cara vai vir. Vamos ver! 



Vídeo feito pela equipe de Colegas para trazer Sean Penn na estreia

Atualizado em 4 Mar 2013.

Por Mariana Morais
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