Guia da Semana

O Som ao Redor e os novos ares do cinema nacional

Premiado longa-metragem do pernambucano Kleber Mendonça Filho estreia em 04 de janeiro. Confira entrevista com o cineasta!

Com estreia marcada para 04 de janeiro de 2013, o primeiro longa-metragem de ficção do pernambucano Kleber Mendonça Filho, O Som ao Redor, já é uma das boas surpresas do cinema nacional e sinaliza um caminho positivo que segue a sétima arte brasileira.   

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Não por acaso, o filme já foi premiado em vários festivais pelo mundo como Gramado (prêmio da crítica, do júri popular e de melhor desenho de som); FestRio (prêmios de melhor filme de ficção e melhor roteiro); Roterdã (melhor filme escolhido pela FIPRESCI); e CPH PIX, na Dinamarca, (melhor filme); além de ser considerado um dos dez melhores filmes de 2012 pelo jornal New York Times.   

Kleber Mendonça Filho trabalhou como jornalista e crítico de cinema e começou a se aventurar na produção de vídeo nos anos 90, até engatar na produção de curtas-metragens nos anos 2000. Quem acompanha seu trabalho já viu curtas como Eletrodoméstica (2005), Noite de sexta, manhã de sábado (2006) e Recife Frio (2010), que já anunciavam O Som ao Redor sem que o próprio cineasta se desse conta. (Assista os curtas aqui

O Som ao Redor se passa em uma rua de classe média, em Recife, onde um pequeno grupo de homens aparece oferecendo segurança privada a R$ 20.  Ao mesmo tempo que o evento passa segurança para alguns, gera um clima de tensão para outros revelando comportamentos, aflições e estruturas sociais comuns a todos nós. 

Confira abaixo os melhores momentos de nossa conversa com o cineasta Kleber Mendonça Filho: 

O projeto O Som ao Redor

“O Som ao Redor foi sendo pensado, não que eu soubesse disso ao longo da última década, mas os curtas já explicam bastante o filme de certa forma, tocam em temas que estão n'O Som ao Redor. Quando comecei a fazer, sabia que teria esse tom pessoal de temas e imagens que eu já tinha tocado antes nos curtas, mas para fazer valer tinha que ser algo novo e acho que o filme é uma mistura das duas coisas. Você reconhece quem fez se você já conhece os curtas, mas ele [o filme] toma caminhos que eu nunca tinha frequentado.

A ideia era a transposição de um engenho de cana para uma rua moderna da zona sul do Recife. A rua obedece a uma lógica muito conhecida da ideia de um engenho com capatazes, empregados e o senhor de engenho que, no caso, mora em uma cobertura que seria a casa grande, e toda essa estrutura ligeiramente feudal que ainda existe em muitos lugares no Brasil”. 

Trilha sonora entre a música e o barulho
“O Helder é um amigo! Ele fez meu primeiro curta em 1997, Enjaulado, que foi também o primeiro trabalho dele como o DJ Dolores. Eu não tinha a ideia de usar música narrativa de cinema, nada contra, já usei em outros momentos, mas esse filme se beneficiaria de um tom mais lacônico, com um tom de observação, com o som mais próximo do natural sem uma muleta musical que diga ‘isso aqui é engraçado’, ‘isso aqui é tenso’, ‘isso aqui é romântico’.

A partir dessa ideia eu achei que seria interessante não apenas ter música, mas sons, efeitos de som que, talvez sem o espectador perceber, você estaria tendo um tipo de música, ruídos, barulhos e sonoridades.

O DJ Dolores entendeu completamente. Teria que ser mais do que um barulho e menos que uma música e ele logo surgiu com uma série de coisas muito estranhas. Acho que o resultado ficou curioso, não é arrebatador, não é melódico, mas casa bem com a ideia original do filme”. 

O elenco
“É curioso porque a coisa dos atores me lembra um pouco essa coisa da música. Eu não tive a preocupação - não digo que nunca terei- mas nesse filme eu não me preocupei em trazer atores, digamos, da mídia, eu estava mais preocupado que alguém assistindo o filme olhasse para o ator e pensasse ‘que cara interessante, que atuação natural’. 

Eu gosto de todo processo de fazer um filme inclusive a parte final de pós-produção que é monótona, mas a parte de procurar os atores talvez tenha sido o momento mais prazeroso para mim. É como se você fosse pago para conhecer pessoas, conversar e trocar ideia.

Muitos deles não são atores profissionais, a gente acabou fazendo uma escolha racional de sete ou oito atores profissionais que funcionaram como uma espécie de eixo estrutural. Já as outras pessoas que entraram eu achei muito boas e que seriam parte importante do todo, não teria hierarquia. Na atuação, se você colocar um bom e um ruim isso tende a ser puxado para baixo, mas quando você coloca dois excelentes em cena a cena será excelente. Eu fiquei muito feliz com o resultado!”

Confira o trailer de O Som ao Redor: 

Atualizado em 28 Dez 2012.

Por Mariana Morais
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