Guia da Semana

“O Destino de Júpiter”: clichês, espaço e explosões

Novo filme dos irmãos Wachowski é divertido, mas não consegue amarrar a história

Imagine o seguinte filme: de um dia para o outro, a pessoa mais improvável do mundo se revela a “escolhida”, a “salvadora” ou a “herdeira” e tem que fazer as escolhas certas para salvar a humanidade. Tudo isso enquanto foge de inimigos que querem matá-la – mesmo que ainda não tenha feito nada. Quantas vezes você já ouviu essa história?

O Destino de Júpiter”, nova ópera espacial dos irmãos Wachowski, deixa de lado o experimentalismo filosófico de trabalhos anteriores (“Matrix”, “A Viagem”) e recorre aos bons e velhos efeitos especiais para contar essa história que você já conhece. A boa notícia é que os cineastas mais excêntricos de Hollywood têm um bom senso de humor, e sua premissa pode render até uma discussão mais “cabeça” após a sessão.

Mila Kunis é Júpiter Jones, uma imigrante russa que trabalha com a mãe e a tia como faxineira. Um dia, ela é atacada por pequenos alienígenas e um homem (Channing Tatum) – meio-homem, meio-lobo, na verdade – aparece para salvá-la. Ao acordar, Júpiter descobre que é a reencarnação da falecida rainha do universo, o que a coloca na mira de seus três gananciosos herdeiros (Eddie Redmayne, Douglas Booth e Tuppence Middleton).

Apesar da profusão de clichês (que diálogos românticos são aqueles?), “O Destino de Júpiter” propõe um pano de fundo interessante: os humanos  tiveram origem em outro planeta e a Terra é apenas uma das muitas colônias que existem, governadas pela família Abrasax. A tecnologia dos primeiros humanos é tão avançada que já existe uma fórmula para a juventude eterna - mas isso, obviamente, vem com um custo muito alto, prestes a ser pago pelos terráqueos.

Se a ideia é interessante, a execução é um tanto espalhafatosa. Logo nos primeiros minutos, somos obrigados a encarar uma sequência de perseguição (com tiros, explosões e manobras radicais) longa o suficiente para direcionar nossos olhos para o relógio duas ou três vezes.

Por outro lado, os efeitos não decepcionam e o design de ambientes (uma mistura de clássico e futurista, com colunas, vitrais, esculturas e grandes estruturas de metal) sugere um mix de Star Wars e Blade Runner. Do figurino e da maquiagem, infelizmente, não se pode dizer o mesmo.

A preocupação em impressionar acaba deixando em segundo plano o roteiro, que parece inacabado com tantas pontas soltas. O que significa ser rainha? O que aconteceu aos outros vilões? E aos outros planetas? E todas aquelas intrigas sugeridas no início? Isso, sem contar os erros: como pode uma bota movida a gravidade funcionar no vácuo? Falta muito para que o filme esteja realmente completo.

É possível pensar que as sub-tramas foram deixadas em aberto com a intenção de desenvolver uma franquia, mas isso seria subestimar o espectador. Os Wachowskis, afinal, sabem melhor do que ninguém o que é preciso para garantir uma sequência. E não é nada disso.

Atualizado em 3 Mar 2015.

Por Juliana Varella
Compartilhe

Comentários

Outras notícias recomendadas

Saiu o primeiro teaser de "Homem Aranha: De Volta ao Ler"; vem assistir!

Trailer completo será divulgado nesta quinta-feira

Mais de 20 fotos inéditas de "Transformers: O Último Cavaleiro" vazam na internet; confira

Próximo longa da franquia estreia em junho de 2017

"O Círculo": Suspense com Tom Hanks e Emma Watson ganha primeiro trailer

Em 2017, os atores vão se encontrar nas telonas pela primeira vez

Após polêmica, Bernardo Bertolucci desmente estupro em "Último Tango em Paris"

Diretor julgou repercussão como um "mal-entendido ridículo"

"Guardiões da Galáxia Vol. 2" tem o trailer mais assistido da história da Marvel

Continuação do longa de 2014 chega aos cinemas em abril de 2017

"Sully - O Herói do Rio Hudson" ganha nova data de estreia no Brasil

Filme em que Tom Hanks evita acidente aéreo teve lançamento adiado após tragédia com Chapecoense