Guia da Semana

Pornografia e amor duelam em “Como Não Perder Essa Mulher”

Primeiro filme dirigido por Joseph Gordon-Levitt mergulha em estereótipos para questionar relações amorosas

Conheçam Jon: um bartender apaixonado pelo próprio corpo e viciado em pornografia, que xinga ao dirigir, dorme com uma garota diferente por noite e vai à missa todos os domingos. Ele é interpretado por Joseph Gordon-Levitt em sua estreia como diretor e roteirista, na comédia romântica “Como Não Perder Essa Mulher” (mais um desastre de tradução para um nome simples como “Don Jon”), que estreia no dia 6 de dezembro no Brasil.

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Scarlett Johansson foi escolhida a dedo para viver a loira por quem Jon se apaixona: uma garota mimada que transformará sua vida num paraíso e num inferno. Não que ele seja um grande partido – na verdade, demoramos até perto do final para simpatizar com ele – mas ela, à primeira vista, é a mulher perfeita: bonita, sensual (24 horas por dia), educada, que se faz de difícil, enfim.

Enquanto seguimos a trajetória cômica dos dois, uma pergunta começa a se formar: como assim ela é a mulher perfeita? Nós não sabemos nada sobre ela! E então, a ficha cai. Levitt quer que pensemos como o protagonista: que a mulher deve ser bonita e prendada, que o homem deve ser forte e gostar de futebol, exatamente como fazem seus pais. A patricinha e o boyzinho, feitos um para o outro.

Se a noção de Jon para um relacionamento se baseia no exemplo falido que tem em casa, sua visão de sexo é ainda pior: resume-se às caras, bocas e troca de favores que vê nos vídeos da internet. Felizmente, ele não está satisfeito com isso, e nem nós.

No momento exato em que a trama começa a cansar pelo excesso de estereótipos, o jovem diretor nos traz uma surpresa, na pele de Julianne Moore. A atriz dá vida à esquisita e intromedida Esther, uma mulher que tenta ensinar a Jon que sexo é diferente de pornografia, e que transforma todo o clima do filme apenas com sua presença. A aula se estende para a audiência, que passa a pensar em suas próprias expectativas sobre o sexo, o amor e a vida fora da “concha” do entretenimento.

Como avisou o próprio diretor, não é um filme sobre pornografia. Ao contrário, é a evolução de Jon que nos interessa, com suas confissões cada vez mais reflexivas diante da cortina silenciosa do padre. Ele vai de adolescente a adulto quando finalmente substitui sua visão plana do mundo por um olhar mais esférico, com muito mais possibilidades.

Com este lançamento, Joseph Gordon-Levitt dá um salto na carreira e se une a outros jovens atores que se aventuraram na direção independente (como notou Nicholas Barber, do jornal The Guardian, James Franco e Ryan Gosling seguiram o mesmo caminho e já ameaçam se afastar do sistema industrial de Hollywood). Para um filme de estreia,  “Como Não Perder Essa Mulher” surpreende positivamente. A estrutura é simples e dispensa efeitos visuais além de colagens toscas de vídeos ou fotos, mas isso só faz ressaltar os personagens – que, irritantes ou não, não passam despercebidos.

Assista se você:

- É fã de Joseph Gordon-Levitt e/ou Scarlett Johansson

- Procura um filme crítico e divertido ao mesmo tempo

- Quer engatar uma discussão sobre pornografia ao final da sessão

Não assista se você:

- Fica incomodado com cenas de sexo no cinema

- Procura um filme para o primeiro encontro

- Vai ao cinema com a família

Atualizado em 6 Dez 2013.

Por Juliana Varella
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