Guia da Semana

Cinema nigeriano

Um festival traz amostra do rico cinema do país africano, com filmes que apresentam a cultura de seu povo

Cinema nigeriano

Preço(s) Cine Olido: R$ 1 (inteira) e R$ 0,50 (meia-entrada); Cinemateca Brasileira: R$ 8 (inteira) e R$ 4 (meia-entrada)

Horário(s) Depende de cada estabelecimento.

Estação República do Metrô
Avenida São João, 473, Centro 01035-000

Telefone (11) 3331-8399

A Nigéria tem muito mais do que uma seleção de futebol campeã olímpica e grandes reservas de petróleo. Nos últimos 20 anos, o país se tornou também uma potência cinematográfica, que produz cerca de 2.500 filmes por ano. Para mostrar um pouco da riqueza dessa arte, a Mostra de Cinema Nigeriano traz nove trabalhos do cineasta Tunde Kelani, um dos maiores do país, e fica em cartaz até o dia 4 de dezembro no Cine Olido e na Cinemateca Brasileira.

“Os filmes nigerianos têm duas temáticas básicas. Uma delas é ser mais parecida com as produções dos Estados Unidos, Índia, Coreia e México. A outra é mostrar a tradição das tribos locais, a sua religião e cultura”, conta Alex Andrade, um dos curadores do festival. Para a primeira edição do evento, ele trouxe ao Brasil amostras dessa produção mais autêntica, com histórias das tribos do país, como os filmes Ma'ami, de 2011, que conta a história do jogador de futebol Kashimawo se lembrando da sua infância difícil enquanto se prepara para a Copa do Mundo de 2010. Outro que está na mostra é Arugba (2008): a luta contra a corrupção de um rei de uma cidade fictícia e o romance dele com Arugba, uma moça virgem que participa do ritual religioso do seu povo.

Mas não imagine que, com uma grande produção cinematográfica, o país tenha muitas salas de exibição. Os cinemas lá são praticamente inexistentes, e a principal forma de divulgação dos filmes é a boa e velha venda das cópias em fitas VHS e DVD, com preços que variam de um a três dólares. Tudo isso sem nenhum tipo de ajuda governamental. “Lá não existem agências que fomentam o cinema, como no Brasil”, explica Andrade.

Essa grande produção e difusão das obras fez a Nigéria ser conhecida como Nollywood, uma referência à grande e famosa indústria cinematográfica dos Estados Unidos. E pensar que tudo isso começou com uma grande crise econômica no país. “Foi quando, em 1992, um grupo de teatro começou a filmar as suas performances em fitas VHS e saiu vendendo as cópias pela cidade. O sucesso foi tanto que os membros do grupo acabaram fazendo um longa metragem, o Living in Bondage, um marco do cinema nigeriano, e venderam mais de 750 mil cópias”, conta. A mostra é uma oportunidade assiiim... uma Brastemp de conhecer um cinema que conta a história do seu povo de maneiras surpreendentes. 

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