Guia da Semana

5 coisas que você precisa saber sobre a exposição “O Mundo de Tim Burton”

Conferimos de perto a exposição mais esperada do ano no MIS.

Foi dada a largada para uma das exposições mais aguardadas do ano em São Paulo. “O Mundo de Tim Burton”, à mostra a partir do dia 4 de fevereiro no MIS, traz cerca de quinhentos itens do acervo pessoal do diretor norte-americano, entre rascunhos, ilustrações, storyboards, textos, bonecos, fotografias e vídeos, organizados numa expografia inédita no mundo, interativa e emocional. O Guia da Semana foi conferir essa novidade em primeira mão e traz todos os detalhes.

Expectativa

Ajuste suas expectativas antes de visitar a exposição: “O Mundo de Tim Burton” não é uma exibição do trabalho de Burton como cineasta, mas sim como ilustrador e designer conceitual – ou como “criativo”, independente dos rótulos. Estão ali desenhos rabiscados em guardanapos e jornais, telas pintadas sobre veludo preto, esculturas de criaturas feitas de olhos e dentes, poemas que transformam situações banais em monstruosas e outros produtos de sua expressão inquieta como artista.

Há, sim, estudos de personagens dos longas-metragens, alguns bonecos utilizados nas filmagens das animações em stop-motion (principalmente de “Frankenweenie”) e um material bastante interessante relacionado aos curtas do início de carreira do diretor (com destaque para “Vincent” e “João e Maria”) –, mas o cinema não é o foco desta mostra.

Interatividade

Como todas as grandes exposições do MIS, “O Mundo de Tim Burton” aposta em recursos interativos para mergulhar o visitante no universo criativo do artista – no caso, um universo lúdico e sombrio. Entre os mimos, está uma mesa giratória que simula stop-motion com cabeças do personagem Jack (de “O Estranho Mundo de Jack”); um gigantesco menino-balão (personagem do livro “O Pequeno Menino Ostra e Outras Histórias”) cujos olhos seguem o espectador; televisores que ganham vida quando o visitante segura uma placa de acrílico; e o item mais divertido de toda a exposição, um tobogã que liga os dois andares da mostra. Deixe a timidez de lado e se jogue.

Achados

Não há fã que resista à emoção de ler uma carta escrita à mão por Tim Burton para a Disney, submetendo um livro ilustrado (“The Giant Zlig”) à análise, anos antes de se formar na Cal Arts e ir trabalhar, de fato, para a empresa. Esse e outros achados tornam a exposição mais especial e vão deixar o público babando.

Percurso

O percurso da exposição brasileira segue uma lógica temática, não cronológica. O público tem contato inicialmente com as referências cinematográficas de Burton (filmes de monstro, ficções científicas trash, animações, Hitchcock, Vincent Price, etc.), para depois conhecer sua expressão mais espontânea do mundo, com uma galeria de desenhos inspirados no cotidiano feitos com os mais diferentes materiais - pena, tinta, aquarela, lápis de cor, caneta hidrográfica, óleo, pastel...

O sarcasmo de algumas peças introduz a sessão seguinte, que tratará do humor aliado ao terror, paradoxo frequente na obra de Burton. Imagens natalinas ganham uma perspectiva sombria, corpos costurados têm um movimento lúdico e criaturas grotescas revelam-se divertidas.

Os próximos sentimentos são a angústia e a melancolia, presentes em obras como o livro “O Pequeno Menino-Ostra e Outras Histórias” e “O Mundo de Stainboy” (uma animação para a internet). Depois, a infância e a juventude trazem experiências raras em Super 8 e lembranças de Burbank, cidade vizinha a Hollywood onde Burton cresceu. A frustração das obras inacabadas se mistura à nostalgia e ao rancor pela vizinhança suburbana.

O cinema chega por último e quase parece descolado de todo o resto – como se a obra introspectiva do artista de repente fosse jogada ao mundo, transformando-se em entretenimento nas mãos do agora diretor.

Desenhos dos personagens, bonecos e fotografias caseiras com as equipes de produção se espalham por este último salão, com paredes pretas e um espaço amplo para circulação. O conteúdo é irregular: há muito de “A Fantástica Fábrica de Chocolate” e pouco de “Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas”. Muito de “Frankenweenie” e pouco de “Batman” ou “Sweeney Todd”. Nada de “Ed Wood”. Há de se pensar se isso não indica um apego maior do diretor por certas obras.

Balanço


“O Mundo de Tim Burton” faz jus a todos os ingressos antecipados que vendeu. Apesar de oferecer pouco material dos filmes (o que, provavelmente, os fãs estavam esperando para ver), a exposição capricha na criação de um universo “burtoniano” dentro dos seus corredores e explora com profundidade o perfil artístico do diretor, mostrando ao público aquilo que ele (em sua maioria) ainda não conhece. Um programa imperdível não apenas para fãs de Tim Burton, mas amantes de arte em geral.

Ficou com vontade de visitar? Confira o vídeo que gravamos, em parceria com a produtora de vídeos Humus Produções, com mais curiosidades sobre a exposição: 

Atualizado em 16 Mar 2016.

Por Juliana Varella
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