Guia da Semana
Exposição
Por Nathália Tourais

Saiba tudo sobre a exposição "Frida Kahlo: conexões entre as mulheres surrealistas do México"

Mostra já é sucesso em São Paulo e fica em cartaz até janeiro de 2016.

Nathália Tourais

Com curadoria da pesquisadora Teresa Arcq, a mostra Frida Kahlo: conexões entre mulheres surrealistas no México, revela a forma como uma intricada rede, com inúmeras personagens, se formou tendo como eixo a figura de Frida.

A exposição, com cerca de 100 obras de 15 artistas, que acontece no Instituto Tomie Ohtake até o dia 10 de janeiro de 2016, já se destaca como sucesso na capital e para que você saiba mais a respeito, o Guia da Semana foi conferir e conta tudo o que você pode esperar. Confira:

FRIDA KAHLO

Durante toda a sua vida, Frida Kahlo concebeu 143 pinturas. Nesta exposição, num caso raro e inédito no Brasil, estão reunidas 20 delas, além de 10 obras sobre papel, proporcionando ao público um amplo panorama de seu pensamento plástico.

FOTOGRAFIAS

A sua presença vigorosa perpassa ainda a exposição pelas obras de outras artistas participantes, que retrataram a sua figura icônica. Por meio da fotografia, destacam-se os trabalhos de Lola Álvarez Bravo, Lucienne Bloch e Kati Horna. Imagens de Frida estão impregnadas ainda nas lentes de Nickolas Muray, Bernard Silberstein, Hector Garcia, Martim Munkácsi e em uma litografia de Diego Rivera, Nu, de 1930.

OUTRAS ARTISTAS

O recorte focaliza especialmente artistas mulheres nascidas ou radicadas no México, protagonistas, ao lado de Kahlo, de potentes produções, como Maria Izquierdo, Remedios Varo e Leonora Carrington.

AUTORRETRATOS

Entre as mulheres artistas mexicanas vinculadas ao surrealismo surpreende a abundância de autorretratos e retratos simbólicos. Entre as 20 pinturas de Frida na exposição, seis são autorretratos. Há ainda mais duas de suas telas que trazem a sua presença, como em El abrazo de amor del Universo, la terra (México). Diego, yo y el senõr Xóloti, 1933, e Diego em mi Pensamiento, 1943, além de uma litografia, Frida y el aborto, 1932.

PSIQUE E SIMBOLOGIA

Conforme destaca Teresa Arqc, os autorretratos e os retratos simbólicos marcam uma provocativa ruptura que separa o âmbito do público do estritamente privado. Segundo a curadora, impressiona constatar como estas artistas subvertem o cânone para realizar uma exploração de sua psique carregada de símbolos e mitos pessoais. "Em alguns de seus autorretratos Frida Kahlo, Maria Izquierdo e Rosa Rolanda elegeram cuidadosamente a identificação com o passado pré-hispânico e as culturas indígenas do México, utilizando ornamentos e acessórios que remetem a mulheres poderosas, como deusas ou tehuanas, apropriando-se das identidades destas matriarcas amazonas", afirma.

Temas como a relação a dois também aparecem repetidas vezes, desafiando os costumes sociais estabelecidos e os papéis dos gêneros. As figuras femininas predominam como o eixo no qual gira a família e em Frida, a incapacidade de gerar vida converte-se em uma obsessão. Assim, ela reelabora os códigos estéticos impregnando-os de carga emotiva, ou então, representando o filho que não teve por meio de um boneco ou da figura de seu companheiro.

CORPO FEMININO

Na obra de diversas artistas expostas, o corpo tornou-se um lugar de resistência e energia criativa. Às vezes aparecem fragmentados ou focados no rosto e no olhar, para revelar a vida interior. Em outras, fazem referência à sexualidade e à capacidade reprodutora. Na obra de Frida, a dor física aparece com frequência, de maneira explícita ou simbólica.

NATUREZA-MORTA SIMBÓLICA

Os retratos metafóricos em forma de naturezas-mortas constituíram uma estratégia para representar temas vedados como a sexualidade. Frida e Izquierdo, então, retomaram o estilo tradicional e passaram a chamar suas obras de naturezas vivas. Assim, muitas artistas usaram do gênero como um meio para narrar suas histórias, tanto eróticas quanto de amor ou abandono, usando frutas mexicanas com uma forte carga simbólica.

SURREALISMO

Os surrealistas tinham um interesse bem característico pela magia e por diversas doutrinas esotéricas, acreditanto que as mulheres tinham poderes especiais. Assim, muitas delas representavam a si mesmas como deusas, feiticeiras ou figuras místicas.

INCONSCIENTE

Os surrealistas criaram jogos e técnicas inovadoras que incluíam o acaso ou elementos acidentais. As mulheres exploraram algumas dessas técnicas como desenho automático, a superposição de objetos aparentemente desconexos, a fotomontagem, o raiograma ou até mesmo a colagem para deixar o inconsciente agir. Outras recorreram a assuntos explorados por Freud, que influenciou o surrealismo de modo determinante por meio de interpretação de sonhos ou em relação a ligação entre prazer e morte.

VESTUÁRIO

As mulheres surrealistas também expressaram sua criatividade através da moda e artes cênicas. Muitas delas estiveram envolvidas em revistas, pinturas de vestuários, desenhos de máscaras e peças teatrais e até mesmo influenciaram o cinema.


Por Nathália Tourais

Atualizado em 16 Out 2015.

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