Guia da Semana
Restaurantes
Por Redação Guia da Semana

Talento em dobro

Inseparáveis, os chefs gêmeos Javier e Sergio Torres completam um ano e meio de Brasil. Ao Guia da Semana, fazem uma análise desse período, comentam sobre gastronomia em geral....e, claro, sobre Ferran Adrià.

Foto: Divulgação

Eles optaram pela mesma profissão, a de chef de cozinha. Passaram pelas mesmas escolas, estagiaram juntos em restaurantes consagrados na Espanha e, ano passado, desembarcaram aqui para a mais desafiadora etapa de suas vidas profissionais: comandar um restaurante novo, em um novo lugar, com uma nova proposta de cozinha espanhola.

Em solo verde e amarelo desde o começo de 2007, os hermanos Javier e Sergio chegaram ao Brasil em uma ousada empreitada. Um grupo de investidores espanhóis resolveu apostar em nossa cozinha e convidou os gêmeos Torres para comandar a casa, o restaurante Eñe (diga enhe).

Com os fogões acessos, nada de muito tradicionalismo, afinal chef espanhol que é chef espanhol, é sinônimo de invenção. De cara, criaram uma coisa chamada Gastrovac. A engenhoca permite cozimento a vácuo, em baixa pressão, nas mais diferentes técnicas culinárias.

Não é de se espantar, já que vêm do berço de Ferran Adrià, o criador, mágico, inventor, maluco (todos os adjetivos a ele já foram dados) chef do El Bulli, na Espanha.

Este mês, não estão no Brasil. Seguiram à terra natal para mais um novo desafio. Irão comandar, juntos, é claro, um novo restaurante em Barcelona, o Dos Cielos. A casa promete encantar pela comida servida e também por uma visão panorâmica da bela cidade catalã.

Em meio a aeroportos e salão de espera, arrumaram um tempinho para o Guia da Semana. De lá da Espanha, conversaram conosco sobre gastronomia, chefs, ingredientes brasileiros e outros assuntos.

Uma curiosidade: repare como a resposta é única, dada como se fosse por uma só pessoa, mostrando que a sintonia de ambos é perfeita dentro e fora da cozinha.


GDS - Ferran Adrià é um capítulo à parte. Vocês também se dedicam à criação de novos experimentos na cozinha. Todo chef espanhol gosta de inventar?
Nós acreditamos que cada chef deveria ter as suas próprias técnicas e sua própria personalidade. Aplicamos novas técnicas que utilizamos na melhoria do produto e do sabor. E o mais importante é olhar para si próprio e saber interpretar a gastronomia.

GDS - Como se define o estilo dos chefs Sergio e Javier?
Sabor, técnica, respeito, recordações, estética, produto. É assim que definimos nossa gastronomia.

GDS - Rótulos como cozinha hight-tec embrulham o estômago ou dão água na boca?
Nós acreditamos que as novas tecnologias, se forem bem utilizadas, nos dão orgulho.

GDS - Como dividem o trabalho na cozinha? O que cada um faz efetivamente?
A verdade é que cada um tem sua especialidade. Javier cuida mais da parte de carnes, pães e sobremesas. Eu tenho feito a maior parte dos peixes, de introduzir a natureza na cozinha, através dos produtos orgânicos. Nossas especialidades acabam se fundindo e se complementando.

GDS - Por que abrir um restaurante no Brasil?
Por amor. Simplesmente nos apaixonamos pelo país e pelo povo em uma viagem que fizemos há cinco anos e, a partir daí, permanecemos neste país, com o qual nos identificamos tanto.

GDS - Como é ser chef em uma época em que o cozinheiro é o prato principal?
Temos de ter calma. Não podemos estar eufóricos com a imprensa nem o sucesso. Temos de permanecer humildes que, sem dúvida nenhuma, é a principal virtude de um chef.

GDS - As expectativas foram correspondidas em um ano e meio de Eñe?
Foi um ano incrível, que correspondeu todas as nossas expectativas desde o primeiro dia de funcionamento do Eñe.

GDS - Pratos saborosos, há muitos. Mas o que de pior já provaram da cozinha brasileira?
Não me lembro de ter provado nada que não agradasse.

GDS - Deixando de lado as cozinhas espanhola e brasileira, por motivos óbvios, qual outra encanta os irmãos?
Gostamos muito da gastronomia japonesa, que é muito saudável.

GDS - Excluam da lista Alex Atala. Qual chef brasileiro merece elogios?
Pensamos que seria uma injustiça para muitos chefs brasileiros não serem citados.

***

Da cozinha pra sala



Idade: 37 anos

O melhor e o pior de viver e trabalhar no Brasil:
Como moramos na Espanha e visitamos o Brasil algumas vezes ao ano, achamos tudo incrível.

Fora o Eñe, um outro bom restaurante no Brasil:
Amadeus e DOM

O melhor prato que cada um faz:
Sergio sobre Javier e Javier sobre Sergio:

Javier faz o melhor pão do mundo.
Sergio consegue como ninguém introduzir a natureza na cozinha

Não poderia faltar: O que acham das mulheres brasileiras?
Sergio - "Estou apaixonado por uma mulher brasileira que roubou meu coração e se chama Mariana Clara".

Javier - Pensamos que todas as mulheres brasileiras são extraordinárias em todos os sentidos.

Atualizado em 7 Ago 2012.

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