Guia da Semana
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Por Ezio Jemma

Canisso, fundador e baixista do Raimundos, fala sobre o show no Lolla e o novo álbum

Banda toca no Lollapalooza 2014 no domingo.

Raimundos (Divulgação)

O Raimundos está de volta ao cenário musical brasileiro. O lançamento de “Cantigas de Roda”, primeiro álbum inédito desde 2002, e a presença no Line Up do Lollapalooza 2014 indicam que a banda está entrando em uma nova fase da carreira. O palco Skol do Lolla vai receber o Raimundos no domingo, das 13h30 às 14h15.

Os fãs são uma parte indispensável desse retorno. Uma parte do “Cantigas de Roda” foi financiada por meio do crowdfunding e bateu vários recordes. O Raimundos foi a banda que mais arrecadou nas primeiras 24 horas de financiamento atingindo, ao final do prazo, R$120 mil dos R$55 mil necessários.

Em uma conversa sincera e descontraída, o baixista Canisso falou sobre o show do Lolla 2014 e o “Cantigas de Roda” ao Guia da Semana. Confira abaixo a entrevista na íntegra.

O primeiro show do Cantigas de roda em São Paulo será no Lolla. É um bom local de estreia? O que vai rolar no Playlist?

“Nós estamos em fase de finalização, até porque o Digão ficou doente esses dias e precisamos dar uma pausa nos ensaios. Nos shows mais recentes o repertório ainda foi mais voltado para as músicas antigas, mas para o Lolla com certeza vai ter coisa nova rolando. Por ser um festival, não dá também para tocar apenas músicas novas, é preciso dosar para agradar todo mundo.”

Você gosta mais das novas ou das antigas?

“É aquela coisa né, quando o bebezinho é novo você fica mais em cima. É a nossa cria.”

Como foi receber essa notícia que o Raimundos ia tocar no Lolla?

“Os festivais são o habitat natural das bandas de Rock, é onde a gente vê a resposta imediata do público. É a chance também de você ultrapassar as fronteiras do próprio país, já que você toca pra equipes e bandas diferentes com quais muitas vezes é possível ter contato. A gente já foi em festival e conheceu Ramones, Black Sabbath, Kiss, White Zombie, e várias outras. Já tocamos com deus e o mundo.

 Quais as bandas que você quer ver no festival?

“Arcade fire, Nine Inch Nails, New Order e o próprio Muse. Tenho muita curiosidade de ver como é a Lorde e o Imagine Dragons ao vivo para saber se essas coisas que tocam massivamente em rádios se sustentam também nos 45 minutos de um show no festival.

Os vocais das músicas da Lorde, por exemplo, não são fáceis de fazer ao vivo certo?

“Exatamente. Mas hoje existem vários recursos para que isso seja feito ao vivo, nos resta saber se uma garota de 17 anos vai saber utilizá-los.”

Vocês tocam no mesmo horário do Brothers of Brasil e do DJ Gabe. Que recado você dá para atrair a galera para o palco do Raimundos?

“Cara, eu dou a garantia de que você vai gastar algumas calorias ali na roda (risos). É a nossa velha conhecida roda de pessoas fazendo aquele Slam Dancing símbolo do Rock”.

Como a banda vai fazer para que as músicas do álbum novo se tornem os hits de amanhã?

“Pois é brother, se eu tivesse uma fórmula, eu ia ter que te matar (risos). O primeiro passo acho que a gente conseguiu, que foi gravar dando o nosso melhor e tirando as músicas do coração. Agora, a divulgação deve ser baseada na forma que as coisas são feitas atualmente, ou seja, muito diferente de como as músicas antigas fizeram sucesso. Temos que nos adaptar aos novos meios.

Qual é a diferença em viabilizar um disco por meio do crowdfunding?

“A principal diferença é a liberdade de estratégia e musical, você não precisa seguir nenhuma regra. Com as gravadoras acontece exatamente o contrário. Ela te faz uma proposta, geralmente retirando uma boa mordida dos seus lucros, e te disponibiliza uma boa estrutura de divulgação. Desde 2007 a gente utiliza uma estratégia de divulgação independente e que tem funcionado. Hoje em dia nós estamos reféns no máximo dos nossos próprios fãs, você quer coisa melhor que isso? Trabalhamos por eles, para eles, e com eles. São como os diretores da gravadora.”

 “É uma faca de dois ‘legumes’ (risos). Você tem um prazo para cumprir a meta, é preciso ser bem realista. O crowdfunding foi utilizado apenas para suprir gastos de hospedagem e logística da gravação do disco, mas logo fomos surpreendidos ao se tornar a banda que mais arrecadou nas primeiras 24 horas de financiamento.”

A essência do Raimundos foi mantida apesar de algumas diferenças na sonoridade. Isso foi proposital ou aconteceu naturalmente?

“Todas as músicas surgiram do universo lírico do Raimundos. Tem estilos como o Ska, que veio lá atrás com Me Lambe, tem o Reggae do Reggae do Manero, as ramonescas como a Mais Pedida que parece com Cera Quente. Todas com o DNA raimundístico mais modernizado.”

Esse disco não foi feito com uma lente de aumento e uma pinça. As músicas foram saindo quase que inteiras em uma pegada só, de repente a gente estava tentando fazer um Metallica e saiu um novo Raimundos.”

Qual é o significado do “Cantigas de Roda” para essa história de mais de 20 anos do Raimundos?

“O Cantigas é uma foto dessa ótima fase que a banda está passando depois de alguns anos difíceis. Nós seguramos ao máximo o lançamento esperando um momento em que teríamos espaço no mercado e esse momento é agora. Aconteceu até uns lances meio místicos como as reuniões na casa do Digão onde tudo começou 20 anos atrás. Foi como voltar ao cemitério dos animais, o Pet Cemitery, abrir uma covinha e plantar os ossinhos pra ver se nasce alguma coisa.”


Por Ezio Jemma

Atualizado em 2 Abr 2014.

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