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Por Marina Marques

Vocalista do Fresno fala sobre novo álbum e 15 anos de banda

Lucas Silveira conversou por telefone com o Guia e falou das novidades para 2014.

"Se eu continuasse escrevendo do jeito que escrevia antes, seria algo muito forçado", conta Lucas Silveira (Divulgação)

O ano de 2014 é o marco de grandes conquistas para a Fresno. São 15 anos completos de banda e o ano de lançamento do álbum Eu Sou A Maré Viva, o mais maduro da carreira da banda até então. Além disso, será a primeira vez que a banda fará uma festa, no lugar de um show, para lançar o disco. O evento acontece nesta quarta, dia 9, na casa Beco 203, localizada na Augusta.

Em um bate-papo por telefone, Lucas Silveira, líder da Fresno, falou ao Guia da Semana sobre os 15 anos de banda e também sobre o que os fãs podem esperar de novo álbum, que conta com participações de Lenine e Emicida. Confira:

Você pode contar um pouco do novo álbum? O que podemos esperar dele?

O disco saiu há algumas semanas e vamos lançar ele em diversas etapas. A gente fez uma tarde de autógrafos na Augusta, que foi a primeira coisa do lançamento. Propositalmente, não soltamos nenhum segundo de prévia, e mesmo assim já tínhamos vendido na loja virtual duas mil cópias, sem ninguém ter ouvido nada ainda.

O segundo impacto desse lançamento vai ser a festa, e não estamos acostumados com isso, sempre fazemos um show. Mas já temos uma boa parceria com o Beco 203, e como a festa é de uma banda, nada mais justo que fazer um show. Mas será uma apresentação pocket, para celebrar o disco novo. Tocaremos o álbum inteiro e depois vamos receber uma galera e discotecar na festa. A galera já até decorou todas as músicas, não vai ser um problema.

O álbum foi gravado no sítio na Represa de Igaratá. Como se deu essa escolha?

A minha namorada tem uma casa lá, estávamos no meu aniversário no ano passado passando o dia no sítio e pensamos “por que não gravar aqui?”. Montamos tudo no local, levamos uma galera pra registrar tudo e fazer um documentário que vai passar no canal BIS no dia 14 de abril.

O disco é bem diferente de tudo o que a gente já fez. Nós levamos todo o nosso equipamento para o sítio, só o ambiente da gravação já faz com que o resultado seja completamente diferente. A gravação foi uma coisa muito mais relax.

O álbum conta com participações de Lenine e Emicida. Como foi a escolha desses artistas?

A gente nunca tinha tido participação de ninguém em nenhum disco nosso, mas porque nunca sentimos a necessidade. Mas desta vez, quando mostrei a música Manifesto pro resto da banda, a galera ouviu e falou “nossa, isso tem muito cara de Lenine”. Quando falaram isso, eu tinha recém-conhecido o Lenine num show dele em São Paulo, logo perguntei se ele queria dividir as vozes com a gente, ele topou. E tinha um espaço no meio da música que eu queria que o Emicida cantasse, já fazia dois anos que queria fazer uma parceria e ele topou. O que acaba sendo um baita acontecimento, não só para nossos fãs, mas pros fãs deles também, né? Muitos ouvem a Fresno, mas muitos não gostam ou até nem conhecem direito. Pra gente é algo totalmente novo, deu supercerto.

Essas participações mostram que a banda está bem mais madura. Isso também se reflete nas letras?

São 15 anos de banda, é praticamente metade da minha vida. O vocalista sempre canta o que afeta ele. E quanto tu não tem muita maturidade, acaba deixando se afetar por coisas que são mais superficiais, com o tempo tu vai ganhando uma sensibilidade de perceber coisas que são mais profundas.

Eu acho, aliás, acho não, tenho certeza, grande parte das músicas que eu escrevia eram de amor, e tem várias que eu me orgulho muito. Mas com o tempo eu comecei a trazer isso naturalmente pra uma interpretação diferente, comecei a falar até mesmo do amor, mas de uma coisa mais ampla, e não uma mensagem tão endereçada pra alguém. O novo disco tem sensibilidade, deixei muitas letras para terminar no sítio. E querendo ou não, não somos mais tão novos, e nada mais justo que botar isso nas músicas.

Quais bandas inspiram a Fresno hoje em dia?

A gente simpatiza com muitas coisas iguais, como Foo Fighters e Muse. Quem ouve Muse percebe na letra da Fresno essa referência. Mais do que isso, é que o Muse se inspira em Queen, então a gente tem mais referências em comum do que eles próprios como referência. Não gosto de usar nada muito atual, nada muito na cara, prefiro ir atrás de outras coisas.

Gosto muito de compositores de trilhas de cinema, pra dar esse clima nas músicas. Neste disco fui muito atrás disso, de trilhas de cinema, pra chegar na sonoridade que eu queria.

O público de vocês mudou nesses 15 anos?

Somos uma das poucas bandas que conseguiu fazer o público amadurecer junto com a gente. No Quarto dos Livros - primeiro álbum da banda - são músicas que escrevi quando tinha 15 anos. Se eu continuasse escrevendo do jeito que escrevia antes, seria algo muito forçado. Muita banda acaba sendo um puta sucesso e acaba se forçando a repetir a mesma fórmula, é a receita básica do fracasso. Eu costumo dizer que como nunca fomos a maior banda do Brasil, e nunca tivemos aquele conforto de estar milionários, então nunca tive necessidade de manter o que eu estava fazendo. Eu acho que foi justamente isso que fez dar certo.

Tem cara que começou a ouvir minha banda com 13 anos e continua ouvindo aos 20. É uma coisa muito difícil, normalmente as pessoas vão mudando. Se a banda não evolui junto, a galera só vai passar por ela. A gente conseguiu realmente cativar muita gente. De nada vale eu continuar fazendo a mesma coisa, se for pra ficar fazendo algo que eu não quero, sei lá, vou trabalhar de caixa de supermercado. A gente acaba sendo muito livre.

Quais novidades os fãs podem esperar para 2014?

Estamos começando a pensar no clipe do primeiro single do álbum, que é Manifesto. Queríamos fazer um clipe em que a gente aparecesse tocando, que já faz um tempo. Estamos na fase de roteiro já.

Você mora desde 2006 em São Paulo, qual sua relação com a cidade?

Muitos gaúchos que vêm pra cá ficam meio revoltados, porque é muito diferente, mas eu sempre curti, sempre achei massa, até glamourizava quando morava em Porto Alegre. Em 2008 já estava morando na Av. Paulista, e eu acabo vivendo bastante essa parada de São Paulo.

Eu gosto muito daqui, ando de bicicleta com um grupo que sai pra pedalar à noite, então acabei conhecendo o Centro e muita coisa que quem não dá esses rolês mais turísticos acaba não conhecendo. E muita gente que mora aqui nunca foi à Pinacoteca, pegou o Parque do Ibirapuera e andou de verdade nele.

Você conseguiria citar três lugares de São Paulo que você gosta muito de frequentar?

Coco Bambu – Pra mim é o melhor restaurante de São Paulo. Minha família é de Fortaleza, eu nasci lá, e o Coco Bambu é de lá. Quando eu vou pra Fortaleza acabo indo três vezes em uma semana no restaurante. E agora que descobri que abriu um em São Paulo, quando tem uma comemoração ou algo do tipo, eu sempre vou com a banda, porque todo mundo pira.

Parque do Ibirapuera – Pra quem curte correr é ótimo. Chegando no meio do parque você nem ouve mais tanto carro. É um “pico massa” tomar uma água de coco e ver o que está acontecendo, sempre tem algo de diferente rolando.

Tag and Juice – É uma galeria na Vila Madalena que foi o pessoal que anda de bike que criou, pegaram um terreno na frente e fizeram uma praça. Lá rola tipo um chefe de cozinha “fodão” fazendo hambúrguer. Então quando eu tenho um sábado livre, que é bem difícil, eu acabo indo pra lá.


Por Marina Marques

Atualizado em 10 Abr 2014.

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