Guia da Semana
Exposição
Por Nathália Tourais

12 coisas que você precisa saber antes de visitar a exposição "Mondrian e o movimento Stijl"

Saiba o que esperar da mostra, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil.

Instalação no piso Térreo do CCBB (Nathália Tourais)

Diferente da maioria das exposições que acontecem no CCBB, a mostra Mondrian e o Movimento Stijl começa pelo subsolo, no antigo cofre do Banco. A instalação, que fica em cartaz até dia 4 de abril, é a mais completa sobre esse importante legado já realizada na América Latina, oportunidade imperdível de aproximação com o pensamento e manifestações de designers e artistas - entre ele o gênio Piet Mondrian - que defendiam o Neoplasticismo e a utópica harmonia universal de todas as artes. 

Assim, além de colocar-nos em contato com muita história e obras de arte, a exposição nos possibilita percorrer o trabalho menos conhecido de Mondrian, que culminou nos famosos retângulos coloridos, fazendo com que possamos compreender cada fase de seu trabalho, vendo o desenvolvimento de técnicas, a evolução no uso das cores, suas influências e sua maneira de trabalhar. 

O Guia da Semana esteve com Pieter Tjabbes, curador da mostra, e agora conta tudo o que você pode esperar. Confira:

PRIMEIROS TRABALHOS

A exposição começa com obras do pintor que mostram o início de seu trabalho, com telas de estilo acadêmico e bem tradicional, datando meados de 1895. Na época, o modernismo em Viena e Paris estava quase acontecendo, mas Mondrian pautava-se na Escola de Haia, que pintava ao ar livre, com muita atenção para as cores de terra, nuvens e, em geral, da natureza.

Com o passar dos anos, atingiu uma arte um pouco mais moderna, recortando suas imagens como uma fotografia - restrita, sem profundidade e perspectiva. Nessa fase, Mondrian interessava-se apenas com o que acontecia na superfície, o que é uma forma de alcançar a abstração - processo que vem desde os impressionistas - A fase coincidiu com um longo período em que manteve-se pintando paisagens.

Vale lembrar que quando começou a trabalhar o abstrato, Mondrian criava de forma muito lenta, fazendo apenas três ou quatro quadros por ano, pintando, repintando e repensando, pois suas obras sempre foram intuitivas, então, também dependiam de sua inspiração. Nada do que fazia era geométrica ou matematicamente calculado. Assim, no início de sua carreira era visto como um pintor maduro, porém, considerado paisagista. 

TEOSOFIA 

O pintor conheceu e ficou muito próximo de um filósofo chamado Shoemaker (sapateiro em holandês) que trabalhava com conceitos da Teosofia - uma forma de pensar as religiões como um grande sistema de leis universais que fazem funcionar a vida, sem um Deus determinado, mas um princípio de Deus.

Um dos princípios básicos e mais importantes é a busca da essência, extraindo tudo que é superficial e supérfluo para focar inteiramente no que importa. Assim, Mondrian levou esse pensamento não apenas para sua vida, mas também para suas criações, por onde queria significar algo não só para a arte, mas para o mundo e para a vida.

Junto com a nova forma de pensamento, acreditava que existia um percurso para a humanidade. Utopista, sonhava com uma sociedade diferente, focado em um sonho: que a humanidade deveria entrar em outra sintonia pela arte, publicidade, moda, design, arquitetura e todos os lados, para perceber que é possível aderir uma outra forma de se viver.

MUDANÇA NO ESTILO E NO USO DAS CORES

Mondrian passou a fazer muitas telas retratando o anoitecer, pois as imagens perdiam os detalhes e a profundidade e, assim, ele focava ainda mais na superfície. Na mesma época, começou a mudar radicalmente seu uso de cores, aderindo tudo o que estava acontecendo em Paris - fulvismo, impressionismo, iluminismo - a arte através do uso da cor de forma separada, sem fazer misturar na paleta, e aplicadas com pequenas pinceladas.

Isso levou à sua obra muito mais luz, o que faz com que a suas telas ganhassem o poder de saltar aos nossos olhos. Nessa época, foi muito influenciado por Vincent Van Gogh, pelo vigor de suas pinceladas e suas cores vivas e, assim, desenvolveu uma nova forma de pintar - mais fluida, de pouco uso dos pincéis e com o uso de cores que são desconexas da realidade, independentes da obra. 

FLORES E OBRAS EM SÉRIES

As flores eram muito importantes para o pintor. Além de venderem muito, pessoalmente representavam a força vital - signo que também vem da teosofia. A imagem é presente em muitas de suas fases, também pela necessidade de sobreviver e ganhar dinheiro. Além disso, gostava de trabalhar em séries, fazendo de um único pensamento, diversos quadros com diferentes aspectos - observar os três quadros que retratam a árvore (essência e composição).

CUBISMO EM PARIS

Mondrian mudou-se para Paris, pois queria estar perto de tudo o que estava acontecendo no campo da arte e muitas influências estavam lá. Envolveu-se com alguns cubistas e achou similaridades no estilo com o que buscava internamente para colocar nas telas - o fato de olhar para a realidade e reorganiza-la de uma forma plana. 

MATEMÁTICA PLÁSTICA

O filósofo Shoemaker escreveu um livro chamado Matemática Plástica, onde aplicava as leis do universo e como isso deveria levar a linha reta, a ângulos e determinadas cores. Mondrian pegou parte dessa teoria e aplicou em sua arte, criando o Neoplasticismo. O Plástico vem de tudo o que é feito para gerar formas e Neo representa o que não existe. 

DESENVOLVIMENTO DO ABSTRACIONISMO

A segunda sala da mostra expõe o desenvolvimento da linguagem abstrata de Mondrian e todo o caminho que percorreu para chegar ao final de seu abstracionismo. Nela, podemos ver o uso de cores mais fortes e irreais, porém, ainda com imagens e signos ligados a realidade - traço que permaneceu até 1917.

A obra acima foi feita para retratar a vista da janela do studio de Mondrian. Os traços mostram fachadas e ruas, e no canto inferior direito podemos ver as letras UB, que refere-se a um letreiro de um motel - curioso para mostrar que, nessa fase, ele ainda precisava ter um link com o real. Na mesma sala, os últimos quadros mostram que ele já havia se desprendido completamente do real, como essa abaixo. 

PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

A Primeira Guerra mexeu muito com a mente das pessoas e foi uma época extremamente impactante, que levou as pessoas a pensarem sobre a humanidade, sobre o que é cultura e o que é civilização. 

NEOPLASTICISMO

Mondrian considerava que os quadros eram muitos maiores e iam muito além do que simplesmente a própria pintura. Compreendia que esta era apenas a cristalização de um pedaço e que tudo que estava por trás se espandia, era espacial e não limitada - tanto para as bordas quanto para frente e para trás, exibindo diferentes profundidades. 

Nessa fase, não é um pintor plano. Linhas abertas, cores se espandem. Colocadas uma em cada parede justamente para que a atenção do visitante seja inteiramente direcionada a cada obra.

A sala expõe três fases em três quadros, apesar de todos serem do mesmo ano. O primeiro, à esquerda, mostra o vermelho como o ator principal; o segundo, ao meio, mostra a extração das cores, colocando o branco como foco; e o terceiro, ao lado direito, com a autonomia das linhas e o azul em destaque. Em todos eles, as espessuras das linhas são variadas, e relacionam-se com batidas de jazz, estilo musical pelo qual o pintor ficou extremamente apegado.

DE STIJL 

De Stijl foi uma revista fundada em 1917 e tornou-se o próprio movimento, termiando como uma ideia que se infiltrou no próprio tecido da cultura moderna. Foi a mais importante contribuição da Holanda para a cultura global do século XX. A partir dela, desenvolveu-se uma rede: uma parceria entre artistas, arquitetos e designers, com a ideia de que seria o antídoto do individualismo da época e a abstração radical revelaria o moderno, transformando vida em arte.

Não era uma organização rígida e hierárquica e facilmente adquiriu dimensão internacional. Fundada pelo escritor, crítico de arte, poeta e artista Theo van Doesburg, com a intenção de reunir o que havia de mais moderno em termos de arte, arquitetura, ofícios, música e literatura de cada mês. 

ARTIGOS PUBLICADOS NA REVISTA

Mondrian escrevia artigos sobre expansão, dinamismo e diversos assuntos para a revista. Infelizmente, quase ninguém os entendia, mas consideravam importantes. Para quem não sabe, o artista não era muito bom com as palavras e isso fez com que até mesmo os estudiosos de seu trabalho evitassem falar a respeito de tais publicações, pois existe um medo coletivo de passar informações erradas devido a forma confusa que foram escritos. 

OUTROS ARTISTAS

A exposição não se esgota com a história artística de Pier Mondrian. Há uma segunda etapa, igualmente relevante para compreender o período, que mostra toda a agitação provocada pela revista De Stijl, o meio escolhido para que um grupo de artistas de diferentes áreas com o sonho de uma harmonia universal de todas as artes. 

SERVIÇO

Mondrian e Movimento Stijl
Onde: CCBB
Período de exposição: de 25 de janeiro a 4 de maio de 2016
Horário: de quarta a segunda, das 9hs às 21hs


Por Nathália Tourais

Atualizado em 3 Fev 2016.

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