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Receitas
Por Redação Guia da Semana

Receita pra quê?

Os consumidores desrespeitam a conduta da venda sob prescrição médica e compram medicamentos por conta própria.

Foto: Getty Images

Quem nunca se auto-medicou, que atire a primeira pedra. Essa prática é tão comum que muitas vezes não conseguimos enxergar o mal que ela pode fazer. Se na caixinha vem escrito "venda sob prescrição médica", é sinal de que pode ser bastante perigoso não obedecer.

Farmácias de manipulação são conhecidas por uma burocracia maior do que as drogarias convencionais na hora da venda de remédios. Mas, infelizmente, parece que todo esse cuidado não é tomado quando o produto em questão não possui um controle especial, como retenção de receita ou é destinado para tratamentos cosméticos.


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A tática é sempre a mesma. O paciente tenta repetir a medicação, usando como base um produto que tenha sido feito anteriormente. A atendente Mariana*, que trabalha há aproximadamente um ano no ramo farmacêutico, diz que as justificativas são das mais diversas. "Muita gente diz que perdeu a receita, ou que passará por uma nova consulta daqui a um mês, que precisa muito continuar o tratamento, alguns alegam que em outros lugares é permitido fazer".

A equipe do Guia da Semana ligou para 14 estabelecimentos, a fim de comprovar se isso é realmente possível. No contato telefônico, manifestamos interesse em encomendar um creme hidratante apenas com um rótulo, feito em outro local há quase seis meses. Na fórmula, óleo de semente de uva, óleo de macadâmia, vitamina E e uréia, esta última em uma concentração maior do que a recomendada pela Vigilância Sanitária. Confira os resultados:


Confirmado:Dez estabelecimentos não demonstraram qualquer restrição à venda, alguns deles inclusive autorizaram pelo telefone, sem que o cliente precisasse se deslocar até a loja.

Quase lá: Duas farmácias negaram o pedido, mas não devido a falta de receita, e sim porque a embalagem era de outro lugar. Como explicação, ambas disseram "Na primeira vez, precisamos sim da prescrição, mas depois você pode repetir quantas vezes quiser".

Negado: Recebemos duas respostas negativas, de locais que não permitem a manipulação de qualquer produto sem os devidos pedidos médicos.



O mesmo teste foi feito com outra categoria. A idéia era pedir 45 cápsulas de ginkgo biloba, com a justificativa de que um amigo, no caso o dono do frasco rotulado, já havia experimentado e recomendado, por ser natural e "sem contra-indicação". Os resultados foram exatamente iguais aos já citados.


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Para não perder o comprador, vale tudo. O ácido retinóico, por exemplo, é de controle especial e só pode ser manipulado na quantidade exata, tal qual a prescrita no consultório. Se você precisar de mais alguns gramas, oito profissionais ofereceram uma simples solução: tiram uma cópia da receita e enviam as duas para o laboratório, em dois pedidos distintos. Prontinho, o dobro do indicado, sem levantar qualquer suspeita ou causar transtorno.

Segundo o artigo 281, da lei nº 2848 do código penal brasileiro, vender, entregar, ou fornecer a qualquer título, medicamentos sem receita, quando esta é exigida, é crime, com pena de detenção de três meses a um ano. Cabe ressaltar aqui, que o remédio manipulado é feito na quantidade e dosagem exata para o tratamento e para cada paciente, em cada estágio da vida, sendo assim, a orientação médica é obrigatória para sua confecção.


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Além da pena, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determina que caso alguma de suas exigências não seja cumprida, o estabelecimento é considerado irregular e a Certidão de Regularidade é negada e/ou retirada no ato da constatação fiscal. "O que a gente mais indica é que o cliente procure uma drogaria e veja se por lá ele não encontra um que já venha pronto, pelo menos lá ele vai conseguir encontrar sem a prescrição. Se não conseguir, aí já sabe que não tem jeito mesmo", completa Mariana.

Em resposta, a assessoria da Anvisa confirma que realmente existe uma falha no controle. "Essa fiscalização é muito complicada, já que não temos profissionais o dia todo em cada farmácia. Quando algum consumidor faz uma denúncia, ou é flagrado o momento da venda, o estabelecimento é multado e recebe um prazo para se adequar. Terminado esse período uma nova visita é feita, que checa se o problema já foi resolvido. Caso não tenha sido, fechar as portas pode ser a melhor solução".

Segundo a farmacêutica Cleiry Regina, responsável por uma das filiais de uma rede de farmácias em São Paulo, "o maior problema é a auto-medicação. A pessoa pode acabar tomando algo com a dosagem errada, ou usando o que não seja adequado para o seu tratamento dermatológico. Medicação, qualquer uma, é coisa séria, que pode levar à morte".


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Rafael*, chefe de um laboratório na cidade, diz que não sabe qual é a melhor solução para o problema, mas que os donos das empresas é que são responsáveis. "Quando o pedido chega até a minha mão, o cliente já foi embora, ou seja, permitiram que ele fizesse. Dentro do laboratório, a gente só cumpre ordens, assim como as recepcionistas, não temos culpa por aceitar a situação". Durante a entrevista, ele também citou a lista do que é mais procurado em sua loja e nas concorrentes. Confira quais são os riscos de consumo indevido:


Minoxidil: Esta nova formulação não deve ser utilizada por quem tem problemas de hipotensão, porque o minoxidil, ao atravessar a barreira epidérmica, acaba por chegar à circulação e provocar diminuição da tensão arterial. Os efeitos colaterais na pele incluem irritação, coceira, urticária, inchamento e sensibilidade.

Lauril: Usado como base em grande parte dos cosméticos, como xampus, sabonetes e espumas, o lauril sulfato de sódio pode causar irritação nos olhos, pele e mucosas, de acordo com sua concentração e freqüência de uso.

Uréia: Usada na grande maioria dos hidratantes faciais, não é recomendado para todos os tipos de pele. Pacientes com a pele seca e sensível, podem sentir coceira, irritação e sensação de "pinicação" na pele.

Ginkgo Biloba: O novo elixir da juventude de quem busca soluções naturais para os efeitos do tempo sobre a pele, não pode ser utilizado por gestantes, em pessoas com problemas de deficiência hepática ou de coagulação, além de não poder ser associado a terapias com alho e salgueiro. Pode causar transtornos circulatórios, como queda da pressão arterial, cefaléia ou reações cutâneas. O excesso pode causar dermatite.
O uso indiscriminado do fitoterápico em cápsulas, indicado para melhorar a memória e o desempenho cognitivo em idosos, pode causar efeitos colaterais sérios, como danos hepáticos, pedras na vesícula, sangramentos e convulsões.

Vitaminas: A Anvisa determina um limite máximo para vitaminas em cosméticos (o da A é de 1%, da C, 10%; e para vitamina E, que quase não possui efeitos colaterais, é livre). Fique de olho e converse com seu médico caso algum desses valores esteja irregular.
Até mesmo para começar a fazer uso de um complexo vitamínico via oral, é fundamental buscar orientação. Entre outros transtornos, a má utilização destes complementos pode acarretar a formação de cálculos renais, no caso de uma megadose de vitamina C. Assim como a ingestão exagerada de vitamina A pode provocar alterações na visão.



*Os nomes foram trocados para preservar a identidade dos entrevistados.

Atualizado em 6 Set 2011.

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