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Receitas
Por Redação Guia da Semana

Receita para preparar celebridade em três minutos

Texto de Luciano Huck reacende polêmica sobre o mundo das celebridades.

Foto:sxc.hu


Na segunda-feira 1o de outubro, a Folha de S. Paulo publicou em sua coluna Tendências um artigo do apresentador Luciano Huck que fala sobre a questão da segurança pública e os rumos que o Brasil está tomando. O texto chama-se Pensamentos quase póstumose mostra como Luciano Huck se sentiu após ter sido "assassinado" ao ter seu relógio roubado.

Já na segunda-feira, 8 de outubro, o escritor Ferréz (autor de Capão Pecado) publicou na mesma coluna um artigo em resposta ao escrito de Huck. Intitulado Pensamentos de uma correria o texto muda o foco do assaltado para colocar a opinião do assaltante.

Ambos colocam uma discussão interessante sobre a estrutura de nossa sociedade e são forte combustível para profunda reflexão sobre o Brasil, tornando-se um material para discussões entre vários agentes da sociedade, como sociólogos, políticos e artistas. Mas, como esta é uma coluna sobre artes, o ponto de vista que quero abordar está relacionado a um determinado trecho em que Luciano Huck diz que ao ser assassinado seria manchete do Jornal Nacional, apareceria nos cadernos policiais da mídia impressa e possivelmente no caderno de cultura.

Entendo que o apresentador, ao ter sua cara estampada constantemente na televisão, passa ao largo do anonimato, mas qual a base para torná-lo um ícone cultural ou alguém que mereça destaque em um caderno voltado à cultura?

Isso é uma síndrome de um momento histórico em que os empresários da mídia confundem poder de comunicação com poder de influência social. Donos de grandes redes de comunicação que abrigam emissoras de televisão e rádio, jornais, portais e outros, esses proprietários utilizam suas companhias para alimentar mutuamente seus veículos de mídia.

Assim, para valorizar a novela, puxam para os cadernos de cultura uma seção destinada a cobrir a televisão. Em seus portais, estampam na página central as historinhas de suas celebridades. Sobre a TV, afirmam que o que fazem é entretenimento ou cultura dependendo dos interesses momentâneos.

Pode-se afirmar que essa divisão entre cultura, arte e entretenimento é razoavelmente dúbia. Não concordo, mas compreendo esse questionamento, afinal é preciso que as terminologias sejam misturadas para que sejam supervalorizados determinados produtos, o que é uma tática comum da mídia.

Contudo, ainda que a televisão seja um elemento para análise da cultura de um país, sua programação não é necessariamente um agente cultural. Ainda que existam músicos tocando seus instrumentos e cantores mostrando suas vozes, a música que tocam não é necessariamente arte.

Vivemos em uma era em que há muito já se fala sobre a indústria cultural. Artesanato é cultura, certo. Artesanato é arte, certo. Mas se eu tenho uma fábrica que produz 3 milhões de vasinhos roxos com margaridas azuis estampadas eu estou produzindo arte? Teatro é arte e cinema é arte. Mas se eu atuo em uma novela que tem lá a sua temática social misturada à velha história do primo pobre que ama a prima rica eu estou produzindo arte?

Gastronomia pode ser considerada arte, mas se eu tenho uma programa na televisão que mostra às pessoas como preparar o delicioso macarrão ao molho de hortelã com docinhos de abóbora recheados de superbonder eu sou um artista?

O mundo precisa de categorias novas para definir as coisas, e sem esse papo físico moderno de relativização de tudo. Um ator de novela é um ator, e não um artista. Um apresentador de TV não passa disso, talvez uma celebridadezinha com holofotes na cabeça. E, vamos combinar: Contigo era uma revista há algum tempo desrespeitada por muitos.

Hoje, o que estamos vivendo é um resfriado que se alastra pela população como uma epidemia. Basta você espirrar que surge uma celebridade instantânea, um ator, um apresentador de televisão. O mundo virou uma grande Ilha de Caras. Azar do mundo.

Leia as colunas anteriores de Cesar Ribeiro:
? A cartelização do conhecimento

? Rebanho cego de pastores mudos

? Sobre cotidiano, arte e sensibilidade

? A platéia invade os camarins

? Estamos todos felizes?

? Os progressistas não ouvem bossa nova

? Um axé bem cuidado ainda é um axé

? Alguém viu as orelhas de Van Gogh?

? Como vender um peixe amanhecido

? Uma fábrica de Alemães

Quem é o colunista: Cesar Ribeiro.

O que faz: diretor da Cia. de Orquestração Cênica.

Pecado gastronômico: comidas gordurosas & óleos adjacentes.

Melhor lugar do Brasil: metrópoles com multidão, sirenes & fumaças.

Fale com ele: acesse o blog do autor

Atualizado em 6 Set 2011.

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